Governadora do RN voltou a defender que o governador eleito para o chamado mandato tampão seja alguém ligado à atual gestão
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), reafirmou nesta terça-feira 10 que pretende disputar o Senado nas eleições de outubro. Em visita à Assembleia Legislativa, onde compareceu para fazer sua última leitura de mensagem anual como governadora, ela afirmou a jornalistas que está em “campanha” e reiterou que defende o nome do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), como seu sucessor no governo.
Caso realmente decida ser candidata ao Senado, Fátima Bezerra terá de renunciar ao governo estadual até 4 de abril, para cumprir o prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral. O vice-governador Walter Alves (MDB) seria o sucessor natural, mas ele já afirmou que também não ficará no cargo pois pretende ser candidato a deputado estadual. Neste caso, a Assembleia Legislativa teria de realizar uma eleição indireta para eleger um governador e um vice-governador para encerrarem o mandato até 5 de janeiro de 2027.
“O que está colocado é que nossa pré-candidatura ao Senado, bem como a pré-candidatura de Cadu Xavier ao governo permanecem. Isso é prioridade para o presidente Lula, para o PT a nível nacional. Estamos dialogando com a Assembleia Legislativa. Estamos dialogando com vários parlamentares, com vistas a viabilizar a eleição indireta nessa Casa”, afirmou a governadora do RN.
Em meio a resistências ao nome de Cadu Xavier entre os deputados estaduais, Fátima Bezerra voltou a defender que o governador eleito para o chamado mandato tampão seja alguém ligado à atual gestão. “Evidentemente, algo com o que nós temos compromisso é que seja alguém que tenha compromisso firme com o projeto vitorioso nas urnas em 2018 e 2022”, destacou a petista.
Questionada sobre possíveis nomes alternativos ao de Cadu Xavier, como os deputados estaduais Francisco do PT e Vivaldo Costa (PV), ela declarou: “Estamos conversando”.
A governadora rechaçou responder se poderia recuar da decisão de disputar o Senado. “Nós estamos conversando. O que está posto é isso que estou colocando. Não tem novidade. A pré-candidatura permanece. Estamos em campanha, falando de pré-candidatura”, enfatizou.
Ela ainda afirmou que, depois do Carnaval, uma reunião entre partidos aliados vai tratar da tática eleitoral do grupo governista para o pleito de 2026. “Agora após o Carnaval, estamos realizando uma reunião com os partidos que compõem a nossa aliança. Não só os partidos da federação, mas os que compõem a nossa aliança”, acrescentou.
“RN está muito melhor do que antes”, diz governadora em mensagem
Na sua última mensagem como governadora do Estado, Fátima Bezerra discursou por 40 minutos no plenário da Assembleia. No pronunciamento, ela afirmou que o Rio Grande do Norte vive hoje uma realidade “muito melhor do que estava”. A governadora fez um balanço do governo, elencou obras, investimentos e indicadores sociais, e usou expressões duras para rebater críticas e reforçar o que chamou de compromisso com “a verdade dos números, das escolhas políticas e, sobretudo, da vida real das pessoas”.
Tradicionalmente, a mensagem da governadora abre os trabalhos legislativos na Assembleia. O pronunciamento deveria ter ocorrido na semana passada, na abertura do ano legislativo, mas foi adiada para esta terça-feira por causa da agenda de Fátima.
Ao contextualizar o início de sua gestão, em 2019, Fátima disse que assumiu o Estado em “um cenário de grave desorganização institucional, marcada por salários atrasados, obras paradas e serviços fragilizados”. Segundo ela, a situação foi agravada nos últimos anos pelo impacto da pandemia e pela redução do ICMS imposta aos estados. Ainda assim, afirmou que o governo conseguiu manter políticas essenciais e respeitar os limites constitucionais.
Ao avaliar o momento atual, Fátima foi enfática: “Hoje, com serenidade, afirmo: o Rio Grande do Norte está muito melhor do que estava”. Ela frisou que não se trata de “discurso vazio”, mas de “fatos que se materializam em ações concretas presentes em todas as regiões do meu Estado”.
Entre os pontos centrais da mensagem, a governadora deu destaque especial à infraestrutura viária. Celebrada como um “sonho de décadas”, a duplicação da BR-304 pelo Governo Federal, após cobrança de Fátima Bezerra, foi citada como uma das conquistas mais simbólicas do atual governo. “Depois de 60 anos, o Rio Grande do Norte está vendo a obra começar”, afirmou. Para Fátima, trata-se de uma obra “de caráter estruturante”, que significa “proteção à vida” diante do histórico de acidentes, além de impacto direto no desenvolvimento econômico e no escoamento da produção. “Isso não é mais sonho, é realidade”, disse, ao comentar o início das obras.
A governadora também ressaltou o que classificou como o maior programa de recuperação da malha rodoviária da história do Estado. Segundo ela, já foram entregues 1.400 quilômetros de estradas e outros 665 quilômetros estão em obras, com a meta de alcançar mais de 2.100 quilômetros recuperados. “Estamos executando o maior programa de recuperação de rodovias da história do Rio Grande do Norte”, afirmou.
Outro eixo central do discurso foi a segurança hídrica. Fátima recorreu a memórias pessoais para reforçar a importância da chegada das águas do São Francisco ao território potiguar. “Eu não conheço a seca pelo dicionário ou pelos livros, eu conheço pela vida”, afirmou, ao lembrar da infância marcada pela escassez de água. A governadora celebrou a conclusão de obras como a Barragem de Oiticica e a integração definitiva do Estado à transposição do São Francisco. Segundo ela, a água “deixou de ser emergência e passou a ser política pública permanente”.
Economia
No campo econômico, a governadora disse que o Estado “virou a página da saída de empresas”. Ao citar a política de incentivos fiscais inaugurada pelo Proedi, Fátima afirmou que o antigo modelo estava esgotado e resultava em perda de competitividade. Com a reformulação, segundo ela, empresas voltaram a investir e a gerar empregos.
“Hoje, não apenas as empresas permanecem, mas elas ampliam investimentos e geram empregos”, disse. Um dos dados destacados foi o fato de o Rio Grande do Norte ter hoje mais trabalhadores com carteira assinada do que beneficiários do Bolsa Família, marca que, segundo Fátima, faz do Estado o primeiro do Nordeste a alcançar esse patamar.
A governadora também citou números do emprego formal, com saldo positivo em 2025, e falou sobre financiamento ao empreendedorismo, fortalecimento da agricultura familiar e programas de compras governamentais. Segundo ela, essas políticas ampliaram oportunidades de trabalho e renda no interior.
No turismo, Fátima destacou a retomada do papel estratégico do setor e a relicitação do Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, após anos de impasse. Disse que o equipamento ficou “largado, abandonado durante três anos” e que a solução só veio com articulação junto ao governo federal. “Essas coisas não caem do céu, isso é luta”, afirmou.
Segurança e educação
Na área da segurança pública, a governadora ressaltou investimentos, concursos e a redução dos índices de crimes violentos. “Essa página foi virada”, disse, ao lembrar o período em que o Estado figurava entre os mais violentos do País. Segundo ela, a redução supera 60% nos crimes letais entre 2018 e 2024.
Fátima também destacou avanços na educação, com cumprimento dos reajustes anuais dos salários dos professores, concursos, reformas de escolas e expansão do ensino em tempo integral. Na saúde, ressaltou a ampliação de leitos de UTI e a consolidação do Hospital da Mulher, em Mossoró, que classificou como “uma conquista que vai marcar a história do nosso governo”.
Ao encerrar, a governadora adotou um tom político e pessoal. Disse que sempre pautou sua atuação pela ética e pelo interesse público e que “nunca me movi por projetos pessoais ou individuais”. Reafirmou o lema de sua gestão e concluiu: “Governar é, antes de qualquer coisa, cuidar de gente”.
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