Francisco Rinivaldo Barbosa Gomes, o “Pai Nivaldo de Oxóssi”, de 49 anos, foi preso preventivamente na última quinta-feira (15).
Ao menos sete mulheres denunciam que foram vítimas do líder religioso Francisco Rinivaldo Barbosa Gomes, o “Pai Nivaldo de Oxóssi”, de 49 anos, preso na última quinta-feira (15), em Fortaleza, por suspeita de violação sexual mediante fraude, estupro e violência psicológica contra a mulher.
Segundo uma das vítimas, que terá a identidade preservada, Nivaldo se aproveitava da posição de liderança dentro da umbanda, ganhava a confiança das mulheres e criava situações com justificativa religiosa para cometer os crimes.
“Depois que ele via que a pessoa tinha uma confiança, ele começava com a questão dos abusos psicológicos. A medida que ele via que tinha brecha, ia tentando o abuso sexual. Inventava algum trabalho espiritual com as filhas [de santo] mais novas, ter alguns banhos de descarrego, banho de axé, no qual ele forçava, dizendo que estava com entidade, para que as filhas tomassem o banho despida”, disse uma das vítimas.
Os abusos ocorriam tanto no terreiro, quando em locais que Nivaldo convencia as mulheres a comparecerem para participar de atos que ele dizia fazer parte da umbanda.
“Ele não tinha escrúpulos de local. Ele podia inventar em uma cachoeira, às vezes pegava uma praia mais deserta ou, caso ele tivesse mais acesso à casa da filha de santo, ele inventava esses ‘banhos’ para fazer na casa da filha de santo”, relatou a mulher.
Ainda de acordo com ela, o pai de santo também costumava intimidar as vítimas durantes as reuniões.
“Ele utilizava muito da humilhação durante as reuniões, que as filhas de santo não podiam recusar ou deixar de atender a ligação dele, ou deixar de responder uma mensagem. Se elas não respondessem na hora que ele queria, na próxima reunião já era colocada na frente de todo mundo e era feita toda humilhação”, disse a mulher.
Conforme outra vítima, Nivaldo dificultava a presença de homens no terreiro e preferia manter apenas mulheres.
“Não aceitava filhos de santo homens. Se chegassem homens no terreiro, com pouco tempo ele inventava uma confusão com aquele filho de santo, que forçosamente saía. Só deixava mulheres e algumas não duravam, pois ele já tentava alguma coisa e elas já saíam”, falou a outra vítima.
Além do assédio sexual, as denunciantes afirmam que eram obrigadas a fazer pagamentos para o pai de santo.
“Ele prometia que a gente ia prosperar, só que nunca aconteceu essa prosperidade, porque sempre vinha valores grandiosos. Em vez da prosperidade, ele começou a pedir até para tirar da boca do meu filho, que só depende de mim. Ele falava que a gente tinha que dar tudo para a entidade, para ela devolver muito maior para a gente.
Após se incomodar com as investidas do pai de santo, as mulheres deixaram de frequentar o terreiro e, em conversa com outros membros, descobriram que não eram as únicas a passar por situações com Nivaldo. Com isso, elas denunciaram o pai de santo a polícia e buscaram ajuda jurídica.
“Trouxeram relatos de estelionato religioso, de estupro de vulnerável, de extorsão. É um caso muito complexo, que a gente precisa agir de forma bem cautelosa. Elas foram muito fortes e corajosas. A religião umbanda é uma religião que é por amor, por alegria, por axé e isso não deve fortalecer nenhum estímulo, mas sim no lembrar que em qualquer religião a gente pode vivenciar um ato como esse”, disse a advogada Andressa Esteves, da Associação Marta, que está prestando apoio as vítimas.





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