Fátima Bezerra e Ezequiel Ferreira conversaram, no último fim de semana, sobre a eleição para o mandato-tampão. O diálogo foi descrito como franco e objetivo. A governadora afirmou que seu plano A é renunciar ao Governo e disputar o Senado, mas deixou claro que só tomará essa decisão se conseguir viabilizar a escolha de um sucessor.
Ezequiel também foi direto. Disse à governadora que, neste momento, o governo não teria votos suficientes para eleger um sucessor na eleição indireta. Embora não tenha detalhado sua posição política para a eleição de outubro, demonstrou interesse em manter um canal de diálogo com o governo em torno do mandato-tampão.
A principal novidade da conversa, ainda que nenhuma das partes revele oficialmente o que foi discutido, é a existência de uma ideia em construção para que Ezequiel seja o grande coordenador de todo o processo. Não apenas da eleição indireta — papel que naturalmente já lhe caberia, por presidir a Assembleia Legislativa —, mas também assumindo o comando do Governo do Estado.
Orientado por sua assessoria jurídica, Ezequiel não poderá assumir o Governo após 4 de abril de 2026, sob risco de inelegibilidade. No entanto, nada o impede de ocupar o cargo caso a renúncia da governadora ocorra antes dessa data.
O desenho em análise prevê que Fátima renuncie cerca de quinze dias antes do prazo final, permitindo que Ezequiel assuma o Executivo e coordene o processo sem riscos jurídicos. Contribui para esse entendimento o fato de já ser de conhecimento de ambos que o presidente do Tribunal de Justiça do RN, o desembargador Ibanez Monteiro, não teria interesse em assumir o governo de forma interina.
Há, contudo, um entrave institucional. Ezequiel não pode acumular os cargos de governador e presidente da Assembleia Legislativa. Para assumir o Executivo, precisaria se afastar do Legislativo, abrindo espaço para que o vice-presidente da Casa assumisse interinamente a presidência.
Como governador, caberia a Ezequiel convocar a eleição indireta, embora todo o processo se desenrolasse dentro da Assembleia Legislativa. Ainda não houve um acordo fechado entre Fátima e Ezequiel para essa aliança na eleição intermediária, mas a análise conjunta de cenários e possibilidades indica que as conversas avançaram de forma significativa.
FONTE: BLOG NETO QUEIROZ





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